Mostrando postagens com marcador bahia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bahia. Mostrar todas as postagens

3.8.11

29/07/2011


Viagem para os eua.
A tristeza.
Minha tristeza.
Acordei as 2:40, 3:16, 3:54, 4:15 finalmente o despertador/celular tocou: 4:45. sono.
Levanto, tomo os remédios: selozok 25, naprix 5 e o do colesterol. Preparo o café... água no fogo, lavar garrafa térmica, colocar o pó no coador. tento abrir o computador para ver se tem alguma emergência no imeio. Lento. A água ferve. Pão com queijo. O interfone toca. Taxi chegou. Ainda não estou pronto. Vai demorar um pouco. Cristina acorda. Tomo banho frio me visto. Despedida triste triste. Saio. Taxi. Aeroporto.
O funcionário da American Airlines me tira da fila, leva para o escritório. Faz o chequim. Muda meu lugar. De Recife a Miami, janela, porta de emergência. Mais espaço para as pernas. Libera a bagagem de mão sem pesar. 15,5kg. Liberaria?

Cristina liga. Lembro q vi no computador uma página de horóscopo aberta. Câncer. Falo c ela.
Vou embarcar. Ela liga de novo. Leu o horóscopo.
Lembro q tenho perfume na mala. Volto, aviso no balcão. O funcionário n avisou ao senhor? Ele tinha tantas perguntas q deve ter esquecido. Nós temos a obrigação de lembrar aos passageiros.
Vou embarcar. Raio x. Tiro a carteira. Uma nota de 50. preciso trocar dólares. Volto. Troco 918 reais por 550 dólares. Lembro que esqueci 1000 dólares em casa.
Ligo pra Cris. E aí? Te mando, faço um depósito. Vamos ver. Deixa pra lá. Quando chegar eu vejo. Nos falamos.
Volto pro embarque. Entro. Café. Balas de canela.
Sento. Escrevo. A voz do voo convoca os passageiros.


30/07/2011

Em noviorque sentado no terminal 5 do jfkairport.
O terminal 7 só abre às 4h são 3.
passei 5 horas em miami – duas das quais numa sala da emigração. Sabia q o guichê 27 daria problema. Essas coisas, n sei porque n troquei de fila. As outras andavam até mais rápido. O cara olha pra mim, pergunta o q vim fazer nos eua. Passeio, férias, businesssss..... fui convidado para um festival de teatro. Mostro a carta. Tudo parece bem, foto, impressões digital. Venha comigo e, desde q estava na fila levantou pela primeira vez e pela primeira vez saiu de seu guichê 27 e me levou pra outra fila. Entregou meu passaporte a outro funcionário q me mandou passar. Mas meu passaporte está aí. Então fique na fila. Foi chamando e colocando os passaportes em pastas amarelas, azuis ou vermelhas. Pra uma dessas últimas foi o meu. Outra fila. Me acompanhem. Entramos numa sala totalmente olhos azuis. vi o filme.  Tensão. Uma criança chora sem parar. N escuto as chamadas dos nomes. Alguns são chamados, levantam, vão até um dos guichês. Saem. Aparentemente sem saber porque estavam ali nem porque saiam. E eu sem saber porque estou nos eua.
Saio, comer alguma coisa telefonar n dizer a cris q estive detido na sala de imigração ou emigração. Preocupar pra q? Falo c ela. N sem antes me embananar c o cartão de telefone. O rapaz da loja q vendeu me ajuda.
antes o voo de salvador para recife. Sono acabei de ler o livro de bárbara babi, q trabalhou em barba azul e dom quixote e pensei em dirigir senhorita julia c ela e lázaro. Chegamos a fazer uma leitura. N me conformo com as traduções de strindberg. Acho q ele deve ser melhor. Soubesse sueco.... bonito livro. De buscas procuras endesencontros. Tenho q falar c ela dar um retorno. Edição independente. Notas frias do corredor alado é o nome do livro. N vejo marca de patrocinador nem de programas governamentais de incentivo. Viva!!!

começo a ler Pepetela – O planalto e a estepe.
Escrevo mais um pouco o q vou falar. Eis o q vou fazer falar num seminário dentro de um festival nacional de teatro negro. Sobre teatro negro e novas tecnologias. Um texto frankenstein. Juntando meu assunto de agora – novas narrativas/novos atores – com meu assunto de antes: teatro negro. 

Decepcionei muita gente na secretaria. Parte do teatro baiano esperava q fosse uma gestão para o teatro. Para resolver o teatro baiano. $$$$$$$$$ para montagens. Nada de um pensamento de políticas q ajudem o setor a ser independente e sustentável. Pode ser? N pode? N deve continuar como está. Mas está sem público porque sem interesse, sem necessidade. Exercício de vaidade, ganha pão. N um serviço público. N um diálogo contemporâneo. E volto à minha questão atual novas narrativas convergência de produtos e processos. É o q vou falar no meu texto frankenstein.
Gostaria de falar em inglês como falo em português. Aí dá pra levar. A emoção q alguns assuntos despertam em mim ajuda. N sei como vai ser um texto escrito em português, lido e traduzido.... sei n. E pra isso tô aqui.
Depois de recife, pra miami.
Fotos, crianças no banco da frente. Meu lugar na janela da porta de emergência. Uma senhora no corredor. Cadeira vazia entre, cheia de mochila e travesseiros. Sono durmo. Leio escrevo, tiro fotos. Levanto almoço merendo vou ao banheiro passo fio dental escova e pasta nos dentes. Vou ao banheiro várias vezes pra levantar andar e mijar.
Horas de viagem. Pessoas como eu entraram em salvador, saíram em recife, voaram pra miami, circulam pelo mia miami international airport circulam pelo jfk em n york. Parece filme.
Cláudia leite vai fazer show em newark e boston. Toda a equipe faz parte desse contingente nômade. Vários outros. Família de pai mãe filho filha casais solitários. Viro uma esquina um deles. Podia ser um filme de perseguição ou de terror.
Janto um sanduíche no subway. Depois descubro um restaurante junto ao gate D38 onde vou embarcar, q tem ropa vieja – prato de carne q adoro mas o sanduíche tava gostoso.

Embarco para noviorque. Esperar mais 5 horas. O terminal 7 só abre às 4. são 3:45 vou rodar corredores e esteiras rolantes pegar de novo o air train e chegar la.
Rumo a washington em novo avião. depois, finalmente, um outro pra greensboro perto de winston-salem - carolina do norte.


E teve a segurança das duas entradas em salas de embarque: miami e ny... tira sapato cinto leptop carteira bota tudo em bandejas para o raio x torrar e passa por um aparelho q checa o corpo todo. Uma exposição quase total de cada um. Um país q vive acuado pelo terror. Pelo pânico da possível revanche a tudo q faz mundo afora.

O terminal 7 abriu a moça q atendia no balcão da united airlines era brasileira e me ajudou no chequim. Café: melão capuchino e cinamon twist tradicional. Espera.


01/08/2011

Winston-Salem north caroline eua – depois das 5 horas de ny, washington e um avião pequeno daqueles de 2 lugares de um lado e 1 do outro. E outro avião igual de washington pra greensboro.
No aeroporto Olasope Oyelaran nigeriano radicado nos eua, professor aposentado da universidade da nigéria e daqui – organizador do Colóquio: Black theatre and the critical canon: a call to the culture bearers, onde falo dia 5 sobre Teatro negro e novas tecnologias.
Ele me espera no aeroporto e dispensa o carro que ia me levar. Vamos tomar o breakfast e conversar. Sinto uma reponsabilidade muito grande de estar aqui. Único representante do brasil, já que Cobra e Evani Tavares não puderam vir. A expectativa sobre o papel do brasil é muito grande.
Suco capuccino e panquecas.
Hotel. Banho internet sono. E o telefone toca. Uma rádio local solicita uma entrevista. Em inglês? Topo. Amanhã.... domingo. Rio, primeira entrevista em inglês pra rádio. Em londres, pra zumbi, eu dei?
N durmo mais. Tenho q acabar de escrever minha fala. N escrevo. Tortura escrever.
Fome. Saio pra comer. Tudo é cenário de filme americano. Sem legenda. Tiro fotos. Restaurante italiano. Ligo pra casa antes. Cheguei. Salada e fetuccine a l'arrabiatta.

Volto pra casa.
Hotel.
Internet. Sono. Pepetela. A bela e a fera na televisão, em inglês. Sem legenda e sem dublagem. Durmo.

Acordo tarde no sábado. O café da manhã do hotel é terrível: ovos mexidos, bacon, um mingau branco sem gosto, bolinhos de batata fritos, n tem pão, ao invés, biscuits e uma rosca dura mais escura c gosto de canela, outra clara. Cream cheese, geleias, manteiga e mel. Bananas e laranjas. Suco plástico de laranja e de frutas vermelhas. E de maçã q n gosto. Muito doce. Chafé ou chá e leite...

volto pro quarto a rádio faz confusão. Vários ligam... vários horários. Finalmente chega o reporter e chama. Vou à recepção. Dois jovens negros. O entrevistador é ator e dramaturgo. Falamos sobre teatro e sobre projetos: os dele – ir para L.A. Fazer audição para hollywood. O último texto q está escrevendo sobre um músico q foi assassinado, supostamente por uma prostituta. Falo pra ele q é minha primeira entrevista em inglês pro rádio. Rimos. Gravamos, o outro filmou numa canon rebel t3, como a minha. Falamos sobre câmeras. Filmes, meus projetos, minha fala: teatro e novas tecnologias, explico a questão das redes sociais e suas dramaturgias, do tempo real e espaço virtual. Como o teatro pode aglomerar uma comunidade virtual e outra presencial, e compartilhar tempo e discurso. 
trilogiaRemix... é incrível. Vou fazer? Faz sentido? Como? Parte da minha vinda é uma fuga, um distanciamento, um olhar em perspectiva para o bando, para o vila, para mim e meus 40 anos de teatro. Como é q vai ser aqui? Como é q vai ser a volta?
Toda viagem é uma tentativa de volta. Pra algum lugar. Pra alguma coisa. E essa coisa é a nossa casa e nossa casa é um lugar simbólico q representa Eu mesmo. Q eu? Devo falar de mim eu quem. O jasão de müller.


30.5.11

RESPEITO AOS MAIS VELHOS

foto: João Milet Meirelles

O projeto RESPEITO AOS MAIS VELHOS, de manutenção do Bando de Teatro Olodum, patrocinado pela Petrobras, através de edital de 2007, previa, ao fim de dois anos de atividades diversas, a construção de um espetáculo baseado na pesquisa e nas vivências do grupo com comunidades, lideranças e artistas negros mais velhos, conhecedores dos efeitos do tempo e da necessidade da memória.

O tema, Respeito aos mais velhos, evidenciou a necessidade de respeito ao próprio tempo. O tempo nas dimensões cronológica e simbólica, e a percepção de sua passagem e de sua permanência, como fatores físico e mítico.

As heranças das culturas de nossos ancestrais negros estão preservadas especialmente nos ritos e liturgia das religiões de matriz africana. Mas também no cotidiano de outros coletivos culturais e artísticos, com quem o grupo se relacionou durante o cumprimento desta etapa.

A construção da peça que falasse sobre isso, passava também pela construção de uma metodologia de trabalho diferenciada que agregasse ao processo teatral, de alguma maneira, aquelas formas de repasse de conhecimento silencioso dos terreiros, das rodas de capoeira, e – por paradoxal que possa parecer – de outros saberes de transmissão oral. É que estas oralidades afrobrasileiras estão preservadas também em gestos, atitudes, maneiras que se reproduzem pela observação do que é dito e do que é silenciado. Do como e porquê as coisas são ditas ou silenciadas.

Por outro lado, o espetáculo deveria dialogar com uma platéia, não necessariamente formada nesses assuntos e nessas tradições ou sequer informada sobre eles. Uma platéia contemporânea acostumada com a velocidade: a negação do tempo. Platéia formada pela dinâmica de uma sociedade que encara a morte como um fim e a velhice como nada mais do que o caminho para isto – ao contrário da tradição africana que considera a idade como um acúmulo de experiências que nos prepara para a passagem de uma vida para outra – uma sociedade que considera a juventude como um valor em si, e que é preciso preserva-la a todo custo, num frenesi de consumo de fórmulas mágicas, cosméticas, cirúrgicas e comportamentais, para a consagração da eterna juventude. Era para essa platéia que também queríamos falar.

A escolha de uma linguagem dramatúrgica oriunda das redes sociais e da cultura internauta, e o uso de tecnologias audiovisuais pareceram adequados para se conseguir esse fim por que neles se identificou também uma convergência com as formas de expressão das comunidades matriciais que forneceram generosamente material para a construção da peça. O tempo, em sua permanência, está representado no espetáculo pelo passado em imagens e depoimentos gravados, presentes no momento em que atores e câmeras produzem e reproduzem imagens e discursos – narrativas engendradas pelo contato com esse passado – ao vivo, em comunhão com a platéia.

Isso deu certo. O espetáculo emociona os jovens, que se sentem levados para outro tempo. E os mais velhos e iniciados no candomblé, que sentem-se respeitados e representados na peça.

Essa opção estética, no entanto criou dificuldades para levar a peça às cidades onde o grupo passou e colheu material. A necessidade de um espaço específico de 20 metros por dez, com platéia dos dois lados diminuiu as opções de viagem: apenas o Rio, ofereceu um espaço assim. Por outro lado, os equipamentos de som, vídeo e computação necessários à reprodução das imagens e sons gravados, encareceram cada apresentação, tornando inviável – dentro do orçamento do projeto – mais três temporadas em diferentes locais.

A solução, entendida e aceita pela Petrobras, foi fazer mais uma temporada em Salvador e trazer as pessoas e instituições que ajudaram o Bando a montar a peça. O que foi um acerto porque, ao se mobilizarem para vir, um grupo interagia com outro. As prefeituras ou instituições que apoiaram a ida do projeto para suas cidades, voltaram a apoiar a vinda desse público para Salvador e muitos gestores públicos acompanharam as caravanas. O que mostrou ao poder municipal a importância da cultura negra e a necessidade de sua aproximação com ela, através dos mais velhos, das entidades matriciais, dos terreiros, dos mestres, dos afoxés, grupos de capoeira, blocos afro.

Os encontros entre os visitantes e seus semelhantes locais também foram de uma riqueza muito grande, gerando possibilidades de intercâmbio e troca de experiências e conhecimentos entre eles.

Por tudo isso, consideramos o projeto vencedor e acertada a escolha da Petrobras ao patrocinar uma ação continuada, um programa, não apenas um evento, como uma montagem ou uma turnê. O avanço na pesquisa da linguagem e na busca de diálogo com um público específico foi fundamental para o desenvolvimento do Bando de Teatro Olodum, o que o levou a contribuir mais uma vez, tarefa de toda ação cultural, com o desenvolvimento da sociedade, elaborando e implementando políticas afirmativas para a elevação da autoestima dos idosos e dos tradicionalmente excluídos ou perseguidos e para a redução da discriminação racial e da intolerância religiosa.

salvador, 30 de maio de 2011

22.5.11

O teatro e as novas tecnologias

Creio que a Universidade Federal do Recôncavo cumpre, no momento, para a cultura baiana, o mesmo papel que a UFBA nos 1950s/60s, com a implantação de seus cursos de arte. Ferve algo em Cachoeira/São Felix de muito positivo. e que dará resultados em breve.
Fui convidado para falar para os alunos de Artes Visuais e Audiovisual sobre a minha busca no campo do diálogo entre teatro e novas tecnologias. O papo vai ser dia 25/05, quarta feira próxima, entre 14 e 15h, na Sala 13 do CAHL-UFRB, Rua Maestro Irineu Sacramento, S/N, Centro, Cachoeira - BA.
o papo vai ser em torno do que se segue:

BENÇA, espetáculo do Bando de Teatro Olodum
foto João Milet Meirelles

O teatro só é possível se for necessário. Essa é a grande questão que o mundo contemporâneo faz a nós: Que teatro é necessário?
Temos uma sociedade cada vez mais fragmentada e setorizada, territorialmente – no sentido mais amplo que território possa ter – e setorialmente. Então teremos um teatro fragmentado, territorializado, setorizado, dirigido a pequenos públicos que estejam naquele território, pertençam àquele setor ou grupo ou falem aquele idioma ou dialeto...
O teatro de Shakespeare, por exemplo, congregava num mesmo espaço as elites, os comerciantes, o povo... Ou seja, toda a sociedade estava ali e as peças tinham que se dirigir a toda ela. Hoje, nem o teatro de rua consegue esse feito. As elites não estão nas ruas. Talvez a televisão consiga isso territorialmente... Mas, mesmo a televisão e o audiovisual estão se setorizando, vamos dizer assim, e sendo realizados, cada vez mais por todos para alguns. É o caso do Youtube, dos blogs e de todas as redes sociais: você produz seu discurso e o disponibiliza para todo mundo ou para sua comunidade. E aí vem uma outra questão contemporânea, a reprodutibilidade dos discursos e seu alcance, a capacidade de se reproduzir, dialogar em diversas mídias e alcançar qualquer um, em qualquer lugar.
O mundo do teatro depende da presença física de assembléia e orador e do tempo real. Todos estão aqui-e-agora juntos para, através do compartilhamento de emoções, discutir questões da comunidade.
Talvez tenhamos que repensar então a natureza do teatro, considerar a presença virtual como um fato do século XXI e assumir o tempo real da internet. Muitas experiências já estão sendo feitas no mundo. Talvez este seja um caminho.

APRESENTAÇÃO

Há 20 anos dirijo o Bando de Teatro Olodum, e sou responsável pela maioria de suas criações. Nelas perseguimos a construção de novas narrativas. A montagem de textos clássicos, como Sonho de uma noite de verão ou Ópera de três vinténs ou Woyzeck, são também exercícios e pesquisa para a criação de nossas narrativas.

Há algum tempo temos trabalhado na construção de uma dramaturgia que dialogue com as novas mídias e suportes e que trabalhe com a dramaturgia das redes sociais. Venho investigando a tempos os roteiros e discursos fragmentados que surgem das discussões nas redes. Vejo aí um rico material dramatúrgico, mas que depende de atores aptos a dialogar no palco com as novas tecnologias.

O trabalho comemorativo dos 20 anos do grupo chama-se BENÇA. É um tributo à tradição, ao poder do tempo e aos mais velhos. Mas é um espetáculo/instalação que usa a tecnologia como parceira dos atores em cena. Começamos a experimentar ações na internet. A princípio apenas colocamos fragmentos de ensaios, fotos e informações no Youtube, em sites, nas redes sociais e no blog do grupo. Geramos algumas discussões sobre os temas e inserimos formas narrativas dos fragmentos dessas discussões na peça.

O projeto que estamos desenvolvendo agora: trilogiaRemix.DOC_aquartapeça, começa a ser construída, de forma colaborativa. Além dos artistas que fazem parte do grupo, outros têm participado do processo: fotógrafos, roteiristas, músicos, cineastas. Também temos tido a presença ativa de moradores do Centro Histórico de Salvador, território urbano, sobre o qual se fala na peça. Os ensaios estão sendo acompanhados online via twitter, com interação e diálogo com internautas. Assim, mobilizamos uma comunidade interessada em debater questões raciais, de gênero, de exclusão, de violência, a partir do teatro.

Estamos implantando um laboratório de pesquisa de tecnologia e narrativas e vamos apresentar um relato dos processos e métodos de trabalho implementados para alcançar os resultados esperados: o envolvimento das comunidades interessadas em nosso discurso e a difusão virtual dele para quem não pode companhá-lo presencialmente; e a redescoberta da necessidade do teatro simultaneamente como arena de debates e de divertimento.


19.5.11

DO FACEBOOK


‎"Só 7% dos brasileiros foram ao teatro em 2010, segundo pesquisa da Fecomércio-RJ. O levantamento, feito com mil pessoas em todo país, revela que não é o preço que afasta o público dos palcos, mas sim a falta de hábito, citada por 42% dos entrevistados. "
há 10 horas ·  · 

    • Marcio Meirelles gostaria de saber dos amigos aqui do fb: por que vc NÀO vai ao teatro. na boa, acho q esta pesquisa devia ser feita. sabemos qual o nosso público, mas n pq n temos público. o q afasta as pessoas desta linguagem?
      há 10 horas ·  ·  2 pessoas

    • Mônica Santana Sempre me pergunto disso. Convivo tanto com artistas, como com comunicadores, profissonais liberais e noto sempre que as pessoas que consomem cinema, shows, livros, até mesmo cds (essa coisa pouco comprada hoje em dia), raramente vão a teatro. Não está no hábito.
      há 10 horas · 

    • Ricardo Cavalcanti 
      Deixando de lado os discursos apaixonados dos que gostam, para o que o teatro oferece, o preço influi muito sim, em não se criar o hábito de ir ao teatro, mas existem outros motivos para isso: a falta de criatividade das peças (a maioria está cheia de personagens esteriotipados ou falta originalidade); a pobreza da produção, sonorização e dos cenários se comparado a novelas, filmes e shows musicais, seus concorrentes diretos; a localização e manutenção dos teatros, sem estacionamento seguro, etc...(será que funcionaria num shopping?). Poderia citar mais, mas para encerrar, por enquanto, é preciso um bom motivo para tirar a maioria das pessoas de casa à noite, principalmente os que trabalham, criem o motivo e as pessoas responderão.

      há 9 horas · 

    • Lu Alencar 
      Márcio, acredito que deveria existir uma política de sensibilização do público, diferente do que seria "formação de platéia", ou seja, deveria haver uma maior diálogo entre cultura e educação, havendo uma disciplina na grade curricular das escolas para que os alunos do ensino básico vivencie a arte. Como os pontos de cultura que já vem exercendo essa função. A segmentação dos teatros também vejo como uma alternativa para que o público crie uma identificação com o lugar, como por exemplo, o próprio Vila Velha que se dedica a temática afrodescendente. As biliotecas e espaços culturais em geral também poderiam ser locais que programassem espetáculos que por alguma dificuldade de pauta não possam de início entrar em circuito. Bom, são algumas possiblidades que identifico para o problema.

      há 9 horas · 

    • Sérgio Cerviño Rivero 
      O X... Como fazer essa cultura virar cultura pras pessoas? Não é pelo preço...Teatro tinha que ser matéria nas escolas... Vai pela formação escolar e familiar... Eu cresci indo no Tablado... Mas tem tb uma outra coisa... Não seriam o cinema, o CD e o livro produtos mais avalizados pela chamada elite intelectual e o mercado mesmo...? E atingiriam uma outra faixa de publicização muito mais agressiva? Afinal, onde se veicula teatro na BA? Comparem com o cinema, livro e CD... São produtos como pasta de dente hj... Me impressionou ver, no RJ, a campanha pra lançar tal livro da série Harry Potter... Banners imensos, de 10 em 10 metros, por toda a Atlântica, no canteiro central entre as pistas... A questão tb da crítica e resenhistas... Quilos de blogs sobre cinema e livro... E sobre teatro? Eu acho que a questão tá muito na 'venda' do produto mesmo... E, claro, a especificidade baiana... Quer queiramos ou não, na cabeça das pessoas a marca registrada 'filme americano' é carimbo de qualidade... Pelo menos, tecnicamente falando... O mesmo com o livro... Vc se depara com um Cia das Letras, um Cosac & Naif, vc já olha de outro jeito... Teatro na BA tb tem marca, grife: TVV, FG, MM, Cacilda, Simões... Falta inserir na educação esta cultura e falta chancelar, de maneira agressiva, local e nacional, este produto... Agora, $$ tb é um meio necessário pra isso...

      há 8 horas · 

    • Daniel Arcades 
      Li o que Marcio Meirelles tinha colocado no facebook e na aula de português perguntei aos meus alunos o porque eles nunca foram ao teatro (80% da turma do 1º ano do E.M. nunca tinha ido). Ouvi o seguinte comentário: Ah, professor, teatro não tem controle remoto. Se a peça for ruim, não tem como mudar. Vou levá-los para assitir o Shirê Obá. Acredito que o processo educacional pode ajudar muito na construção deste hábito. Acho que a mídia também pode influenciar muito esse processo. Não sei, às vezes penso que o teatro tem que invadir a mídia também. Estou pensando muito no controle remoto do meu aluno...

      há 8 horas ·  ·  3 pessoas

    • Allexa Vieira Lamentável estatística! Teatro relaxa, descontrai, e, principalmente, ajuda a desenvolver o espírito crítico.
      Dramas, comédias, musicais...tem pra todos os gostos!!

      há 7 horas ·  ·  1 pessoa

    • Sérgio Cerviño Rivero ‎... Aula tb podia ter controle remoto... pra zapear os alunos... e eles zapearem os professores...
      há 4 horas ·  ·  1 pessoa

    • Sérgio Cerviño Rivero Aliás, a vida é uma zapeação só...
      há 4 horas ·  ·  1 pessoa

    • Daniel Arcades 
      É, nossa ousadia com a zapeação é extremamente necessária, embora achemos que ela só caiba em alguns espaços já determinados para isso. A vida deveria ser uma zapeação só... em busca de dias mais felizes. O problema é que na vida de alguns o sinal pega alguns canais, enquanto "a vida " traz 1000 canais para você escolher. Voltando ao teatro...Aqui em Alagoinhas, tivemos uma melhora de público com a ampliação da mídia Alagoinhense, o teatro começou a aparecer nas revistas locais, nos jornais locais, na rádio e acredito que o fator mais importante é um engraçado: quase todos os atores da cidade trabalham com educação, são professores na cidade e começam a levar muitas pessoas ao teatro. Pena que esses professores não conseguem montar mais do que dois espetáculos por ano e não conseguem criar um hábito do teatro, pois a comunidade escolar de Alagoinhas, junto com os pais, parentes, vão duas vezes ao ano ver a peça do professor. Alunos do anos finais do Ensino Fundamental principalmente, o Ensino Médio é mais difícil, acredito na ideia da formação desde a base inicial da educação para desenvolver a sensibilidade com as artes mesmo. O povo que faz teatro por aqui deveria ter tempo ou mais pessoas, para zapearem mais peças de teatro. E os alunos usarem o controle remoto a cada fim de semana.